Moore

Alan Moore é constantemente alvo de notícias, já tendo boa parte da sua vida, assim como pensamentos e opiniões, muito bem disseminado e exposto, seja nos meios de comunicação, como nos documentários, tendo o autor como estrela como no caso de “The Mindscape of Alan Moore”.

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Nestes meios vemos um revezar de críticas a suas obras como “V de Vingança”, “Watchmen”, “ Liga Extraordinária” e “Do Inferno”, com as constantes polêmicas envolvendo o seu nome, em especial com as grandes editoras americanas como a Marvel e a DC, tramitando também para a indústria de cinema, pedindo a retirada de seu nome dos créditos de suas obras, acontecendo no caso de Miracleman, ao qual só aparece nos créditos “escritor original”, sendo de maneira parecida nas adaptações, que possuem por base seus quadrinhos.

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Mesmo com toda esta exposição na mídia, acabou se convencionando nos últimos tempos, a caracterização de Moore ser um velho ranzinza, recluso, ao qual renega seus trabalhos mais comerciais, a exemplo Watchmen, grande marco das Hqs, ao qual sempre gera rebuliço quando tem em voga, alterações e novos títulos, utilizando o universo da história, vide Before Watchmen e Doomsday Clock. A Imagem reclusa do autor, é cada vez mais vinculada se tratando dos filmes adaptados, onde a cada resposta atravessado de Moore sobre as adaptações era rapidamente bombardeada tomando proporções enormes e muitas vezes tirando a intenção e a linha de argumento, presente originalmente na fala.

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Com este amontoado de informações e boatos presentes nos meios de comunicação, Lance Parkin, costura uma excelente Biografia, (publicado aqui pela Marsupial editora). Obra no qual remonta o caminho percorrido por Alan Moore, desde os primeiros contatos com as letras e os comics, até ás incursões, mais underground do autor, fazendo paralelos e contextualizando bem o período histórico e ás repercussões de cada quadrinho, a reverberação deste no mercado de quadrinho, como o percurso da ideia e bastidores até a publicação final, percorrendo assim toda sua carreira. O Livro traz a luz, várias polêmicas, ao qual o escritor britânico esteve envolvido, mostrando ao leitor o acontecimento por vários pontos de vistas, por outras pessoas, além do próprio Moore. Outro elemento a se destacar é a coerência de Parkin, na captura da essência do mago inglês, enaltecendo os principais pontos da carreira e a própria evolução, demonstrando como ele enxerga sua arte de escrever histórias, no próprio paralelismo com a visão de Moore sobre o que é magia, como visto no seguinte trecho:

“ Para Moore, “magia” é o nome que ele dá a momentos em que se percebe que a linguagem pode afetar a realidade; é assim que a consciência e a imaginação humanas interagem com o mundo. Os seres humanos atingem esse processo principalmente através da arte: “escrever é o ato mais mágico que há, e provavelmente seja o cerne de todo ato mágico”. A elaboração mais sofisticada de seu sistema de crença até o momento, apropriadamente, saiu em quadrinhos. Nas 32 edições da série Promethea (1999-2005), com arte de J.H Williams e Mick Gray, a personagem principal, Sophie Bangs, é iniciada nos segredos da magia e sua história retrata todos os elementos que sabemos fazer parte das experiências do próprio Moore. ”

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     Por fim, se trata de uma excelente biografia vindo a ser um ótimo material de referência, pois além de retratar bem a vida de Moore, tece bons paralelos e traz ás visões de outros quadrinistas, que tiveram contato ou fizeram parte de seus trabalhos, conhecendo melhor o mago dos quadrinho, como seus processos jurídicos, ou de criação, de forma fluida numa ótima prosa narrativa, onde o ponto negativo fica por conta dos erros de português, e outras falhas que por vezes retira a fluidez do texto, causando incômodos, mas uma boa edição dentro o pouco material do tipo existente no país, que seja o início de novas publicações do gênero, trazendo futuramente outras biografias de figuras icônicas do universo dos quadrinhos.  

Detalhes da publicação:

Mago das Palavras. A Vida Extraordinária de Alan Moore

Autor: Lance Parkin ‎ Tradutor: Érico Assis

Capa comum: 448 páginas

Editora: Marsupial